Mitos, mal-entendidos e simplificações excessivas sobre o ganho de peso são comuns e prejudiciais, porque atrapalham a maneira de abordar e tratar a epidemia mundial vigente da obesidade.
Recentemente, este assunto polêmico veio novamente à tona em uma publicação realizada pela Obesity Medicine Association(1).
O intuito deste importante documento é de educar e melhorar a compreensão mundial em relação ao tema.
Seguem abaixo os mitos comuns, que todos nós precisamos conhecer e entender melhor, para que possamos nos ajudar e ajudar ao próximo(1):
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A obesidade é uma escolha de estilo de vida e não uma doença.
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Um aumento no peso corporal é sempre devido a um aumento na gordura corporal; pacientes
com diminuição muscular e peso corporal normal não desenvolvem complicações da obesidade.
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Uma grande quantidade de redução de peso é necessária para benefícios para a saúde.
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A redução de peso é difícil; manter a redução de peso é fácil, logo que o peso é perdido.
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Em pacientes com obesidade, o aumento da gordura corporal é a causa de todas as suas
condições de saúde.
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As pessoas estão predestinadas a ter obesidade devido a um “ponto de ajuste”(“metabolismo”) pessoal inalterável.
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A maioria das pessoas com aumento de gordura corporal geralmente é saudável e permanecerá saudável.
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A obesidade se deve principalmente a uma anormalidade genética definida.
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Na ausência de uma causa médica genética ou secundária, a obesidade se deve principalmente à falta de força de vontade.
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A obesidade é causada apenas por comer demais.
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A obesidade não está relacionada ao conteúdo calórico dos alimentos.
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A obesidade é causada pela ingestão de alimentos processados.
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A obesidade é causada por padrões de café da manhã.
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A obesidade é comumente causada por patógenos presentes no intestino(microbioma).
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A obesidade se deve à falta de acesso a alimentos à base de plantas.
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A falta de amamentação por 2 anos é uma das principais causas da obesidade.
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O aumento do tecido adiposo subcutâneo é saudável; o aumento do tecido adiposo visceral não é saudável.
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Indivíduos com obesidade têm metabolismo mais lento. Pessoas magras são “naturalmente magras” porque têm um metabolismo mais acelerado.
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Pacientes com “ ossos grandes” não têm potencial para alcançar um peso corporal saudável.
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Dietas com baixo teor de gordura são a melhor maneira de reduzir a gordura corporal.
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A terapia médica nutricional é mais eficaz quando baseada na preferência do paciente.
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Vitaminas e suplementos à base de plantas são eficazes para alcançar a redução de peso.
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Ao implementar uma dieta diária que gere um déficit energético de 500 calorias, enquanto esse déficit energético diário for mantido, a redução do peso de gordura continuará a ocorrer indefinidamente, de acordo com o cálculo de que 3500 calorias são armazenadas por quilo de gordura.
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O aumento do exercício físico é a maneira mais eficaz de reduzir o peso corporal.
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Cada quilo de músculo que substitui a gordura queima mais 50 calorias por dia.
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O acesso a equipamentos de academias e dispositivos para monitoramento de atividades físicas resultará em redução de peso.
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Estabelecer metas de perda de peso na obesidade mais “realistas”, ou seja menos agressivas, acabará por alcançar uma maior redução de peso do que metas mais agressivas.
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Pequenas mudanças favoráveis na ingestão nutricional e na atividade física trarão grandes benefícios à longo prazo; a redução de peso lenta e gradual é, em última análise, mais eficaz do que uma grande e rápida redução do peso.
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Os esforços para reduzir o peso corporal em pacientes com obesidade não são saudáveis, porque o peso inevitavelmente retornará, e as flutuações no peso corporal são mais perigosas do que manter um alto peso corporal.
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Os medicamentos não devem ser usados para tratar a obesidade, porque a obesidade se deve a uma dieta não saudável, a falta de exercícios físicos e devido ao reganho de peso, que ocorre quando os medicamentos antiobesidade são descontinuados. A cirurgia bariátrica é “o caminho mais fácil”, um procedimento reservado para pacientes que falham e trapaceiam, sendo um procedimento muito perigoso para todos os outros pacientes.
A publicação explica detalhadamente ao leitor, com base em medicina baseada em evidência, cada um desses mitos listados acima(1).
O Conhecimento da ciência subjacente a todos esses pontos ajudará toda a população a enfrentar melhor o ganho de peso, que pode levar ao sobrepeso e à obesidade e à luta contra esta epidemia mundial.
Fonte :
- Thirty obesity Myths, Misunderstandings, and/or oversimplifications: An Obesity Medicine
Association (OMA) Clinical Practice Statement (CPS) 2022. Obesity Pillars.
https://doi.org/10.1016/j.obpill.2022.100034.
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2667368122000250